um lembrete de como a vida não faz sentido, mas há coisas que fazem sentido
Você não precisa escrever todos os dias. Nem ser criativo quando escreve. Você só precisa escrever para si.
Não aprendi a ser preciso como Hemingway, nem perspicaz como Faulkner, mas eu aprendi a perder o medo de apertar as teclas. Somos apenas os nossos empregos? Apenas nossos holerites? Quando alguém irá contar alguma coisa, do fundo das entranhas novamente? Me parece que isso acabou há uns bons quinze anos. Agora somos apenas o que postamos. Apenas o que recebemos. Talvez se eu estivesse fazendo meio milhão por mês eu não escreveria isso, mas, ao mesmo tempo, há uma lenda de que os melhores escritores surgem das piores condições de vida. E, apesar de eu não ser um pobreta aidético, ainda considero que estou numa condição melhor do que 70% das outras pessoas nesse planeta. Talvez seja isso que eu precise! Passar fome em algum lugar deserto da África, ser perseguido por traficantes, cobrado pela Receita Federal, excomungado da família, entrar na lista dos mais procurados pela Interpol. Preciso ser relembrado pela vida o porquê pessoas como nós são privilegiadas. Talvez ser acusado injustamente por um crime… talvez.
“Basta passar uns cinco minutos no Linkedin e qualquer esperança de futuro que você tenha para a raça humana acaba. Não há futuro para nós, esse mundo irá acabar, aproveite tudo enquanto há tempo. Isso aqui irá acabar, sem dúvida alguma.”
Minha cabeça me lembra disso incessantemente. E você, que me lê agora, provavelmente está na mesma. O fato de você ter acesso a internet já confirma. Você é mais um oriundo da procriação de classe média de um país meia boca que nem é uma potência e nem miserável, o que te coloca numa posição filha da puta onde você não pode nem ter os direitos de uma potência e nem reclamar de miséria. Você não pertence a nenhum extremo. Você é um cidadão vira-lata. Mas você quer pertencer. Você quer poder esfregar na cara daqueles que te criaram e daqueles que cresceram com você que agora sua posição é consolidada. Você é alguém. Você é alguma coisa. Mas aquilo que você será, é a mesma coisa daquele que será pulverizado no final. Não há importância em pertencer, a importância maior é ser, é estar, é ir. Mexa-se. Viva. Beba. Coma. Conheça.
Preocupe-se em ser bom para si e para aqueles com quem você se importa. E é isso mesmo, o que importa é sempre o mais simples. Se algo te exigir filtros, legendas, música de fundo ou a localização, não vale a pena.
“Seria uma pena você passar por essa vida e não deixar algumas palavras para trás”.

